
Por André Rossi
Na última terça-feira (10), a polícia provinciana de Santa Cruz de Tenerife interceptou um bote com 64 pessoas, de origem africana subsahariana que, na ilegalidade, tentavam chegar em território espanhol. Os imigrantes se encontravam em bom estado de saúde.
As autoridades espanholas estão acostumadas a lidar com tentativas frustradas de pessoas que, por diversos motivos, procuram viver no país de maneira ilegal. Frequentemente os chamados "cayucos" (botes) chegam na costa espanhola ao alcance da vista da guarda marítima. Há os que passam desapercebidos. É com estes que a polícia se preocupa. E a população também.
Segundo pesquisa publicada pelo CIS (Centros de Investigaciones Sociológicas), a Imigração é um dos maiores problemas da Espanha. Contudo, quando perguntados qual problema lhes afetava particularmente, a Imigração não figurou nem entre os dez primeiros. Estranho.
Apesar de a Espanha ser o segundo país que mais recebe turistas na Europa (depois da França), os espanhóis ainda estranham essa invasão de estrangeiros, que se resulta em um fenômeno novo por aqui. Durante a Guerra Civil que acabou se configurando numa ditadura militar até 1979, o país quase nunca recebia estrangeiros. Assim que após a abertura política a Espanha passou a ser um dos locais mais procurados para fazer turismo, trabalhar e viver.
Parcelas da sociedade também se mobilizam contra o fato. Os extremistas nazi-fascistas justificam sua aversão por meio da violência. Os moderados criticam e muitas vezes se dizem "indiferentes" à presença do estrangeiro.
É um problema social muito sério por aqui. De antemão afirmo que qualquer atitude violenta deve ser rechaçada. E que os espanhóis não se esqueçam de duas coisas: que a Indústria do Turismo tem responsabilidade considerável na economia espanhola e que enquanto questões fronteiriças representarem juízo de valor, haverá desigualdade social.
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