
O governo do Marrocos está descontente com a atuação dos representantes da comunidade islâmica na Espanha, e considera que é necessária uma reforma urgente na Comissão Islâmica, orgão de representação muçulmana no país. Dessa maneira, o Conselho da comunidade marroquina organizou, na cidade magrebe de Fez, um ambicioso debate internacional sobre o status jurídico do Islã na Europa.
A Comissão Islâmica foi criada por Mohamed VI, rei do Marrocos e representante da dinastia dominante no país, a alauí. Chefiado por Abdellah Boussouf, o órgão, que tem como função defender os interesses marroquinos no exterior, crê em uma grande discrepância entre as leis que garantem a liberdade do culto religioso e a realidade vivida pela comunidade muçulmana.
Na Espanha
Bossouf acredita que, no caso espanhol, é preciso uma profunda reforma na Comissão Islâmica da Espanha, que é composta por duas federações: a União de Comunidades Islâmicas da Espanha e a Federação Espanhola de Entidades Religiosas Islâmicas. O marroquino defende que os muçulmanos "necessitam de um órgão mais democrático". Afirmou até que estas duas instituições "não representam ninguém".
Acontece que as duas federações não possuem uma boa relação entre si, o que paralisa as ações do órgão representante do Islã na Espanha. A situação é vista como "insustentável".
Para o governo marroquino, os muçulmanos que vivem na Espanha deveriam escolher seus líderes por meio de uma eleição de cunho democrático. Outra crítica é dirigida ao arcaico modelo de gestão dos assuntos islâmicos no país. Ou seja, a federações não conseguem atender com êxito, aos anseios de 742.482 muçulmanos no país.
Modelos em estudo
A Comissão Islâmica da Espanha estuda alguns projetos para solucionar a crise.
Elaborar um censo eleitoral para que cada muçulmano conte como um voto ou que a votação seja feita por comunidades islâmicas, sendo que cada uma delas escolheria seu representante.
Outra medida, sugeria pelo especialista em comunidades islâmicas, Ivan Jiménez-Aybar, se constitui em que as comunidades islâmicas elejam seus líderes de maneira autônoma, para que depois seja feita uma segunda eleição entre os então eleitos. O vencedor seria o presidente e teria o auxílio de um vice-presidente. A novo órgão seria chamado de Conselho Nacional.
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