sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009



"Más que un club!". É o lema do Barcelona, equipe por onde atua o francês Thierry Henry. O presidente do clube, Joan Laporta, sabe disso, e usa o Barça como ferramenta política para legitimar a causa separatista da Catalunha perante a Espanha.

Laporta almeja o cargo máximo do governo da Catalunha e, como governante da província, ele poderia fazer valer a causa do nacionalismo catalão - movimento que exige o reconhecimento da autonomia política e cultural da região.

Apesar da insistência da direção do Barcelona, os jogadores evitam falar sobre política. Contudo, Thierry Henry em entrevista ao jornal La Vanguardia não exitou ao afirmar que a "Catalunha não é a Espanha". Laporta deve ter gostado do que disse o jogador, que sequer é espanhol.

Os catalães renegam a Espanha e lutam pela autonomia, por uma federação independente. Segundo a constituição da União Européia, nenhum país que se originou de outro, que já fazia parte da Comunidade será aceito no bloco. Então, se independente, a Catalunha (com seus 7 milhões de habitantes) estaria isolada no meio de gigantes econômicos, sem perspectiva de prosperidade financeira.

E o Barça, continuará na Liga se isso acontecer? Creio que não, pois não é interessante economicamente, nem esportivamente que um dos maiores clubes do mundo se ausente do campeonato espanhol. Laporta também sabe disso.

Como sabe também, que enquanto renega a Espanha como país, continua a receber a verba mensal que a União provém para todas as províncias espanholas. Que será da Catalunha sem a mesada?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009



Por André Rossi

"Promulgo, con todo mi corazón y mi compromiso con el pueblo, y juro al pueblo que no le fallaré, la enmienda numero uno de la Constitución Bolivariana. ¡Viva el pueblo!" Com essas palavras, Hugo Rafael Chávez Frias, nesta sexta-feira, assumiu seu compromisso com o povo venezuelano, ao mesmo tempo em que assinava a ata da emenda que lhe permitirá candidatar-se ilimitadamente para o cargo máximo de seu país.

Ao vivo pela cadeia nacional de televisão e rádio, Chávez afirmou que está "pronto para dar continuidade a Revolução, se assim quiser o povo". Após reiterar, o político e militar venezuelano argumentou que só sua permanência no poder garantirá a continuidade no processo de reformas no país, que dirige desde 1999. Segundo ele, a insegurança e a falta de habitações populares ainda são os males da Venezuela.

Confiante, o presidente disse ainda que derrotará qualquer candidato da oposição na próxima eleição, em 2012.

Apesar do cunho democrático que palavras como eleição e referendo possuem, não se pode esquecer que Chávez maneja, de forma inescrupulosa, o poderio militar venezuelano. Esse tipo de regime é chamado de Aliberal. Legitimado democraticamente, mas que frequentemente ignora os limites constitucionais a seu poder, e despojam os cidadãos de direitos e liberdades.

Creio que Chávez tem um plano, que é instalar uma ditadura à la Cuba, fora da ilha de Fidel e Raúl. Preocupa que a oposição Venezuelana ainda não tenha elaborado um plano para dificultar a vida do ditador. Ela se mostra incapaz de propôr ao país um projeto de futuro que não seja baseado nas diretrizes de seu presidente-militar. Os cidadãos, amedrontados, estão expostos ao que vier, que pode ser uma ditadura. Indefinidamente reelegível.

Fonte: El Mundo.es

sábado, 14 de fevereiro de 2009






Por André Rossi

Na Escola da Vida, ao que parece alguns espanhóis tiveram um péssimo desempenho na matéria Humanidade. Como em tal instituição não há exames, a saída é encarar o supletivo e tentar recuperar o "estudo" jogado fora. Provável que quem tenha que pagar por isso sejam os jovens estudantes da cidade de León, norte da Espanha.

A vereadora
do Bem-estar Social e Mulher da cidade, Teresa Gutiérrez, desenvolve um projeto junto a Secretaria de Educação para fundar a Escola de Igualdade Municipal. A iniciativa, que ainda passa por análise na câmara, visa apurar o senso crítico dos alunos do Ensino Secundário (Ensino Médio), para que dessa maneira eles possam "identificar situações de desigualdade e discriminação". Para Teresa, essa é uma iniciativa "muito importante".

Antes tarde do que nunca, alguns espanhóis desenvolverão (espero) um senso de humanidade, que há muito tempo lhes falta. Como a matéria não deveria ser aprendida dentro de salas de aula, e sim na vivência humana, creio que terão dificuldade.

Vamos esperar então, a primeira turma a se formar neste famigerado curso. Até lá, estrangeiros serão deportados de Barajas, latinos sofrerão preconceito dentro das fronteiras espanholas. Ah! Quase me esqueci. Os boleiros latino-americanos, que tanto trazem dinheiro e fama para seus clubes, continuarão sendo tratados como reis.

Espero que nós, latino-americanos sem bola no pé, não tenhamos que entrar numa escolinha de futebol para sermos respeitados como cidadãos do mundo.

Matrículas abertas em León. Boas aulas aos espanhóis.

Fonte El Mundo

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009




Crédito: Antonio Moreno / El Mundo
Por André Rossi

Em espanhol, "Plan Bolonia". No francês, "Plan Bologne". Os húngaros dizem "Terv Bologna", e os italianos, "Piano Bolonia". План Болонья para os russos. E para os gregos, Σχέδιο Μπολόνια. No português, "Plano de Bologna".

A expressão tornou-se muito comum no meio estudantil de muitos países europeus. Isso porque, em 1999, ministros da educação de diversos países do continente, se reuniram em Bologna (ITA), para criar o Espaço Europeu de Educação Superior. Reforma universitária esta, que visa criar um modelo de ensino competitivo a atrativo para estudantes e professores de todo mundo, por meio de adaptações curriculares, tecnológicas e financeiras. O acordo ficou popularmente conhecido por Plan Bolonia.

Você, leitor. Veja a foto acima. Clicada nesta sexta-feira (13). Ela retrata a manifestação de estudantes, que acampavam desde a noite de quinta-feira para fazer um boicote à inauguração do novo campus Ca l'Aranyó, na Faculdade de Comunicação. O protesto é reflexo da implementação do Plan Bolonia na Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona. Já percebemos que algo ficou mal explicado...Então vamos lá!

O que muda?

Passa a valer um Sistema de Créditos, referente às suas horas de estudo (teórico e prático) entre faculdades de toda Europa. Com isso, você tem equivalência entre planos de estudos estrangeiros.

A formação passa a ser em dois períodos. Um de graduação, e outro de pós, chamado de Máster, que custa 2.000 Euros. Segundo dizeres oficiais, pela melhor especialização dos profissionais europeus.

Recapitalização da Universidade. Os fundos das entidades de ensino superior passam a ser geridos por iniciativas privadas. Mediantes aumento de taxas e dos créditos das matérias.

Principais críticas

Aumento das horas letivas. O estudante ficaria em tempo integral na faculdade. Críticos acreditam que com isso a universidade passaria por um processo de elitização, pois a grande carga horária inviabilizaria o trabalho. Fonte de renda para muitos estudantes. Ou seja, só estuda quem pode pagar a faculdade.

Becas estudantis e taxas. O aumento das taxas e créditos não é proporcional ao aumento das becas (bolsa estudantis).

Visão mercadológica. Os críticos acreditam que o Plan Bolonia valida os indivíduos para o mercado de trabalho europeu. Não se trata de transmitir conhecimento com aplicação social, e sim formar trabalhadores.

Argumentação favorável

O sistema de Graduação e Pós (Máster) já se aplica em toda parte do mundo. Facilitando a implementação do profissional no mercado de trabalho.

Se espera que o ingresso dos universitários no mercado de trabalho seja mais fácil. Pois os mesmos estarão reconhecidos em todos os países que participam do Plan Bolonia. Ainda mais porque as formações estarão mais focadas na demanda proveniente da sociedade.

Flexibilização de horários. Relativo ao tempo disponível de cada aluno. Os favoráveis ao plano alegam que o sistema de ensino atual de muitos países não leva em conta a disponibilidade de horários. Com o Plan Bolonia seria possível se formar com uma carga horária mínima de 40 horas semanais.

Entre argumentos favoráveis e desfavoráveis, gostaria de salientar algo que julgo importante: Antes de ser do Estado, a educação é do povo, que paga seus impostos regularmente. Qualquer medida estatal que passe por arbitrária deve ter sua finalidade debatida e posteriormente votada em referendos por todo país.

Leiam com atenção e comentem sobre o debate acima exposto. Ressalto que esse foi um panorama resumido da reação que essa nova medida causa na Europa. Muita coisa ainda vai rolar. Estamos de olho!




sábado, 7 de fevereiro de 2009




"África es gente que tiene esperanza". Concluiu o fotojornalista espanhol Ismael Martinez após lançar seu olhar sobre a África, numa sessão de fotos por Benin e Togo, países do oeste do continente. O trabalho realizado faz parte de uma série de homenagens ao jornalista polaco, Ryszard Kapuściński, falecido em 2007.

Ganhador do Prêmio Príncipe de Astúrias, em 2003, e apontado na Polônia como o melhor jornalista do século XX, Ryszard acreditava que "o sorriso é o melhor caminho para vencer a primeira resistência até o outro". Inspirado pelo cunho humanístico das palavras do renomado comunicador, Martinez clicou a vitalidade e o cotidiano dos moradores da região. O resultado é a exposição "La sonrisa de África", que está em cartaz na Casa Revilla, em Valladolid (ESP).

Sem pagar nada, o visitante pode observar as belas fotos obtidas ao longo da jornada do espanhol pela África, ao som ambiente de músicas típicas do folclore local.

Martinez foi à fundo na essência do jornalismo. Por meio das fotos, transmitiu a autêntica e verdadeira imagem do continente africano, e não uma coleção de estereótipos.

Por André Rossi.

Acompanhe na íntegra as fotos da exposição "La sonrisa de África".
http://www.flickr.com/photos/cadenciabrasuca/

Confira também o Fotolog do Cadência brasuca.
http://www.fotolog.com/cadenciabrasuca