
Foto: Marcela Marques Fonte: Guia O Viajante Independente na Europa
Por André Rossi, em Valladolid, EspanhaBons amigos do Cadência, ao mesmo tempo em que rogo que me desculpem pelo longo intervalo sem postar, digo de antemão que este foi um período realmente rentável para o Blog. Isso porque, ao viajar por três países pude
colecionar histórias e experiências, que resultam agora este
insurreito Post de retorno à
ativa.
Sem mais, no dia 1 de
abril, saí para uma pequena jornada que me ensinou muito. Não só sobre países até então desconhecidos, como também sobre a capacidade do ser humano - apesar das adversidades culturais - de falar a mesma língua quando o assunto é humanidade. Retomo a última
ideia parágrafos abaixo. Falemos agora sobre a viagem.
Mochila e saco de dormir nas costas, no primeiro dia de
abril eu e mais três amigos partimos com o intuito de conhecer
Bélgica, Holanda e a cidade de
Santander, norte da Espanha. De
Valladolid voamos
diretamente a
Bruxelas, capital belga. Ao sair do aeroporto demos muita sorte ao encontrar com um grupo de estudantes espanhóis que
excursavam pelo país. Sem problemas com a língua nos ofereceram uma
carona para o centro da cidade, a qual aceitamos com muito gosto.
Confira a GALERIA DE FOTOS de Bruxelas!Nos despedimos de nossos "conterrâneos" e nos pusemos a procura da rua na qual morava a pessoa que iria nos abrigar na capital belga. Pois é, deixamos hotéis e albergues de lado para apostar na incerteza daquilo que nos era desconhecido. Logo, após alguns minutos de busca, encontramos o que seria nosso alojamento durante os próximos quatro dias.
Ingrid, belga de sorriso fácil e simpatia contagiante, nos recebeu em sua habitação. De aparente meia-idade e assumidamente solteira, logo disse em inglês fluente: "A casa é de vocês. Tenho apenas um sofá, espero que tenham trazido sacos de dormir". O apartamento, grande e confortável, era decorado com
artefatos africanos e orientais. Por todos os lados havia instrumentos musicais de percussão, sopro ou cordas, com os quais
Ingrid tomava aulas.
Na companhia da jovem chinesa
Meng, que também estava hospedada ali, saímos a conhecer Bruxelas. Cidade de negócios, cosmopolita, vibrante e berço da
União Européia, a capital belga encanta por sua beleza. Destaque para a
irretocável arquitetura gótica do centro. Se a catedral de
St. Michel impressiona por sua grandeza, o singelo
Manneken-Pis (garoto mijão) é o maior símbolo do país inventor de mais de 400 tipos de cerveja, das batatas fritas e do ótimos chocolates.
Ainda na Bélgica rumamos à
Bruges. A 97 km da capital, a cidade é, sem dúvida, uma
atração à parte. Seu pequeno centro, do século 13, não mudou muito ao passar dos anos e conserva grande parte da
arquitetura medieval. De tão pequena, é possível conhecê-la em uma tarde.
Confira a GALERIA DE FOTOS de Brugges!Próxima parada, Holanda. Chegamos em
Amsterdam, capital do país, no dia 4 de
abril, precisamente um sábado. E desde então não tínhamos onde passar a noite, pois não havíamos feito reservas em albergues ou hotéis. Resultado: depois de muita procura passamos a noite no aeroporto da cidade, onde na manhã seguinte despertamos sob ordens policiais. Após a já esperada intervenção matinal, fomos conhecer a famigerada
Amsterdam.
Capital e centro nervoso da Holanda, a cidade, com 735 mil habitantes, testemunhou inúmeras guerras religiosas, a invasão
nazista e perseguições aos judeus. Crítica dos absurdos
fascísticos e do cerceamento à liberdade, compreende uma natureza cosmopolita, liberal e eventualmente
transgressora. Ruas com prostitutas em
vitrines e pessoas fumando abertamente - o uso da
maconha é liberado na cidade. Longe do centro a belíssima
Amsterdam passa a ser habitável.
Confira a GALERIA DE FOTOS de Amsterdam!No dia 6 marchamos até a casa de
Jan, um holandês que estava disposto a abrigar viajantes em sua confortável casa. A quinze minutos de trem da capital, a cidade de
Haarlem foi nossa morada pelos próximos três dias. Apreciador de filmes, cerveja belga e um bom vinho, nosso hospedeiro nos introduziu na cultura
Deutsch por meio da culinária e de viagens feitas ao interior do país. Conhecemos os enormes moinhos e as vastas plantações de tulipas. Preciosidades.
Confira a GALERIA DE FOTOS de Haarlem e Leiden!O
mochilão estava chegando ao seu final. Deixamos os Países Baixos e voltamos a Espanha. Após escala em
Dusseldorf (ALE), chegamos a Santander (
ESP) no dia 9. E ali ficamos hospedados na casa de Rafael, brasileiro de Salvador da
Bahia. Atenciosamente, nos levou para conhecer a vida
noturna local, que é bem movimentada. Cidade portuária, que beira o mar, Santander é belíssima. Funde a
arquitetura clássica medieval com as belezas naturais características da região. É também conhecida por ser um local propício para a prática do surfe.
Confira a GALERIA DE FOTOS de Santander!Sobre a
ideia pendente parágrafos acima: As pessoas citadas, ao saber da nossa procura por onde dormir, nos ofereceram suas casas através do site
Couch Surfing. Neste site de relações sociais, você pode disponibilizar um sofá, cama ou um canto, para que viajantes se hospedem em sua casa. Detalhe importante é que todos eles, enquanto trabalhavam, deixaram as chaves de suas respectivas casas
conosco. Improvável? Não.
Quando dizia sobre a capacidade de alguns seres humanos de se entenderem é pelo fato de que, todos nós necessitamos do outro, de conhecer o outro, como ele vive, quais são seus anseios e aflições. Foi uma experiência muito rica, pois nos tornamos amigos de pessoas que sequer conhecíamos e nos ajudaram. Hospitalidade e senso de humanidade não possuem fronteiras.