segunda-feira, 13 de abril de 2009


Foto: Marcela Marques
Fonte: Guia O Viajante Independente na Europa

Por André Rossi
, em Valladolid, Espanha

Bons amigos do Cadência, ao mesmo tempo em que rogo que me desculpem pelo longo intervalo sem postar, digo de antemão que este foi um período realmente rentável para o Blog. Isso porque, ao viajar por três países pude colecionar histórias e experiências, que resultam agora este insurreito Post de retorno à ativa.

Sem mais, no dia 1 de abril, saí para uma pequena jornada que me ensinou muito. Não só sobre países até então desconhecidos, como também sobre a capacidade do ser humano - apesar das adversidades culturais - de falar a mesma língua quando o assunto é humanidade. Retomo a última ideia parágrafos abaixo. Falemos agora sobre a viagem.

Mochila e saco de dormir nas costas, no primeiro dia de abril eu e mais três amigos partimos com o intuito de conhecer Bélgica, Holanda e a cidade de Santander, norte da Espanha. De Valladolid voamos diretamente a Bruxelas, capital belga. Ao sair do aeroporto demos muita sorte ao encontrar com um grupo de estudantes espanhóis que excursavam pelo país. Sem problemas com a língua nos ofereceram uma carona para o centro da cidade, a qual aceitamos com muito gosto.

Confira a GALERIA DE FOTOS de Bruxelas!

Nos despedimos de nossos "conterrâneos" e nos pusemos a procura da rua na qual morava a pessoa que iria nos abrigar na capital belga. Pois é, deixamos hotéis e albergues de lado para apostar na incerteza daquilo que nos era desconhecido. Logo, após alguns minutos de busca, encontramos o que seria nosso alojamento durante os próximos quatro dias.

Ingrid, belga de sorriso fácil e simpatia contagiante, nos recebeu em sua habitação. De aparente meia-idade e assumidamente solteira, logo disse em inglês fluente: "A casa é de vocês. Tenho apenas um sofá, espero que tenham trazido sacos de dormir". O apartamento, grande e confortável, era decorado com artefatos africanos e orientais. Por todos os lados havia instrumentos musicais de percussão, sopro ou cordas, com os quais Ingrid tomava aulas.

Na companhia da jovem chinesa Meng, que também estava hospedada ali, saímos a conhecer Bruxelas. Cidade de negócios, cosmopolita, vibrante e berço da União Européia, a capital belga encanta por sua beleza. Destaque para a irretocável arquitetura gótica do centro. Se a catedral de St. Michel impressiona por sua grandeza, o singelo Manneken-Pis (garoto mijão) é o maior símbolo do país inventor de mais de 400 tipos de cerveja, das batatas fritas e do ótimos chocolates.

Ainda na Bélgica rumamos à Bruges. A 97 km da capital, a cidade é, sem dúvida, uma atração à parte. Seu pequeno centro, do século 13, não mudou muito ao passar dos anos e conserva grande parte da arquitetura medieval. De tão pequena, é possível conhecê-la em uma tarde.

Confira a GALERIA DE FOTOS de Brugges!


Próxima parada, Holanda. Chegamos em Amsterdam, capital do país, no dia 4 de abril, precisamente um sábado. E desde então não tínhamos onde passar a noite, pois não havíamos feito reservas em albergues ou hotéis. Resultado: depois de muita procura passamos a noite no aeroporto da cidade, onde na manhã seguinte despertamos sob ordens policiais. Após a já esperada intervenção matinal, fomos conhecer a famigerada Amsterdam.

Capital e centro nervoso da Holanda, a cidade, com 735 mil habitantes, testemunhou inúmeras guerras religiosas, a invasão nazista e perseguições aos judeus. Crítica dos absurdos fascísticos e do cerceamento à liberdade, compreende uma natureza cosmopolita, liberal e eventualmente transgressora. Ruas com prostitutas em vitrines e pessoas fumando abertamente - o uso da maconha é liberado na cidade. Longe do centro a belíssima Amsterdam passa a ser habitável.

Confira a GALERIA DE FOTOS de Amsterdam!

No dia 6 marchamos até a casa de Jan, um holandês que estava disposto a abrigar viajantes em sua confortável casa. A quinze minutos de trem da capital, a cidade de Haarlem foi nossa morada pelos próximos três dias. Apreciador de filmes, cerveja belga e um bom vinho, nosso hospedeiro nos introduziu na cultura Deutsch por meio da culinária e de viagens feitas ao interior do país. Conhecemos os enormes moinhos e as vastas plantações de tulipas. Preciosidades.

Confira a GALERIA DE FOTOS de Haarlem e Leiden!

O mochilão estava chegando ao seu final. Deixamos os Países Baixos e voltamos a Espanha. Após escala em Dusseldorf (ALE), chegamos a Santander (ESP) no dia 9. E ali ficamos hospedados na casa de Rafael, brasileiro de Salvador da Bahia. Atenciosamente, nos levou para conhecer a vida noturna local, que é bem movimentada. Cidade portuária, que beira o mar, Santander é belíssima. Funde a arquitetura clássica medieval com as belezas naturais características da região. É também conhecida por ser um local propício para a prática do surfe.

Confira a GALERIA DE FOTOS de Santander!

Sobre a ideia pendente parágrafos acima: As pessoas citadas, ao saber da nossa procura por onde dormir, nos ofereceram suas casas através do site Couch Surfing. Neste site de relações sociais, você pode disponibilizar um sofá, cama ou um canto, para que viajantes se hospedem em sua casa. Detalhe importante é que todos eles, enquanto trabalhavam, deixaram as chaves de suas respectivas casas conosco. Improvável? Não.

Quando dizia sobre a capacidade de alguns seres humanos de se entenderem é pelo fato de que, todos nós necessitamos do outro, de conhecer o outro, como ele vive, quais são seus anseios e aflições. Foi uma experiência muito rica, pois nos tornamos amigos de pessoas que sequer conhecíamos e nos ajudaram. Hospitalidade e senso de humanidade não possuem fronteiras.


2 comentários:

  1. E lá fomos nós com a possibilidade de estar na maior escola da vida. Se jogar pelo mundo e explorar as culturas por meio de nossos próprios olhos. Com uma análise diferenciada da sociedade, do comportamento humano e de nosso posicionamento diante disso tudo!
    Muito bem escrito e muito bem dito companheiro.
    ;)

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  2. Santander é linda, mesmo... Saudades da paisagem de lá.

    Abraços, meu caro!

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