quinta-feira, 18 de junho de 2009


Por André Rossi

Caros. Este post não tratará de temas decorrentes do noticiário europeu - conforme costumo fazer por aqui. Tampouco de experiências por mim vividas ao longo de minha temporada na Europa. Este texto - que dentro de alguns parágrafos se tornará opinativo - é dedicado a um tema de relevância para nós brasileiros, e para nossa democracia que, em minha opinião, caminha a passos tímidos para o amadurecimento e a plenitude.

Nesta última quarta-feira (17), o Supremo Tribunal Federal (STF), enfim, votou sobre a necessidade da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. O resultado: por oito votos a um, o STF decidiu por derrubar o decreto-lei 972 - datado em 1969 - que, entre outras coisas, exige a diplomação específica para a prática do ofício jornalístico.

Creio que o STF - presidido por Gilmar Mendes - acertou ao votar pela extinção da obrigatoriedade. Creio, pois acredito que o ofício de jornalista está baseado na liberdade, tanto pessoal como de expressão. E também na sensibilidade apurada para a captação do fato de interesse público. Por natureza, o jornalista expressa-se intelectualmente, utilizando-se de seu conhecimento humano. Conhecimento esse que não é garantido pelo diploma.

Não se pode privar nenhum criador de transmitir a sua criação. Ainda mais com um decreto retrógrado - que vigorava desde o período ditatorial brasileiro -, como o decreto-lei 972, que ao exigir a obrigatoriedade do diploma cerceia a liberdade de expressão e entra em conflito com o artigo 5° da Constituição Federal de 1988, onde costa: “É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

Outra questão é que temos ótimos exemplos de autores que frequentemente assinam as páginas de nossos principais jornais, e que não possuem diploma de jornalista. Economistas, sociólogos, advogados, especialistas na área da saúde, entre outros. A sociedade não pode ser privada do acesso ao conhecimento que esses profissionais tem a lhe oferecer.

Sobre o diploma, - o qual também estou em vias de obter, pois estudo jornalismo - creio que ele está ainda mais agregado de valor após tal medida. Graduar-se no curso de jornalismo significa que, ao menos, o aluno teve contato com os pressupostos teóricos e técnicos que a profissão requer. E sem tais requisitos, sem estar apto, o profissional não se sustenta dentro de uma redação jornalística séria.

Entendo os meios de comunicação como empresas, onde seu principal produto é o texto jornalístico, o fato, que bem apurado vira uma boa matéria ou reportagem. E os meios de comunicação, na condição de empresas, visam o lucro. Para obtê-lo é preciso oferecer ao público produtos bons, de qualidade, sem defeitos. E os donos dos meios de comunicação sabem que a faculdade de jornalismo tem grande influência no processo de formação de novos profissionais, contribuindo, e muito, para a aprimoramento de técnicas na produção de conteúdo jornalístico de qualidade. Ou seja: de acordo com minha opinião, um bom profissional sempre terá espaço cativo no mercado de trabalho. E será valorizado por possuir um diploma de jornalista.

Pelas razões expostas acima, creio que demos um passo importante rumo ao amadurecimento intelectual da imprensa e democracia brasileiras.


quarta-feira, 20 de maio de 2009


Por André Rossi

"A final da Copa do Rei da Espanha foi entre dois países", afirmou Juan Laporta, presidente do Barcelona e candidato nas próximas eleições para o Parlamento da Catalunha. A partida deste tradicional torneio espanhol de futebol foi disputada na última quarta-feira, entre o catalão Barcelona e o basco Athletic Bilbao. Coincidentemente, o governo das duas regiões lutam pela causa independentista dentro do país e, abertamente, utilizam o futebol para seus fins políticos.

Curiosamente, as equipes finalistas da Copa do Rei não se consideram espanholas. O Barcelona é a maior ferramenta política de Laporta, assumidamente nacionalista. Já o Atlético de Bilbao sequer aceita jogadores de fora do País Basco em seu elenco. Ou seja. Algo ia ocorrer na tão aguardada final. E de fato ocorreu...

Ilustração pede, em idioma basco e catalão, que torcedores deem as costas ao Rei Juan Carlos e vaiem o hino espanhol

Dias antes da final circulou na internet uma movimentação
(foto acima do Globoesporte.com) entre catalães e bascos para que, na hora do hino nacional da Espanha, todos os torcedores dos dois times - que se uniram - vaiassem escandalosamente a cerimônia de abertura da partida. Para o Rei Juan Carlos - que estava junto da Rainha Sofia - ver. Ele viu. E não gostou nada.

O estádio Mestalla inteiro vaiou. E o Rei, então, ficou estarrecido. Mas ele já esperava. Há tempos ele sabe dos problemas que enfrenta em não conceder a independência à essas regiões, mais uma vez, que não se consideram espanholas! Confira a transmissão no vídeo abaixo!




(Repare que o repórter é obrigado a falar muito alto ao microfone para que possa ser ouvido diante da arquibancada basca, de vermelho e branco. Repare na desorganização da produção televisiva que não soube planejar a ordem de projeção das imagens. Veja também que nenhum jogador dos dois times sequer canta o hino)

Porém, mais estarrecido ainda ficou o operador e responsável pela transmissão da partida, que estava a cabo da rede de televisão estatal, a TVE. Preocupado e preparado para o enorme protesto que viria, o funcionário teve a infeliz ideia de "censurar" o ocorrido. E então, durante o hino, cortou as imagens do jogo e redirecionou para a torcida do Atlético, em Bilbao, que fazia festa. Ou seja, nenhum espanhol que assistia a partida pela televisão viu, ouviu ou sequer sentiu, as sonoras vaias.

O funcionário bem que tentou corrigir seu erro quando percebeu o tamanho da afronta que havia feito contra a liberdade de expressão. Assim que, no intervalo, transmitiu as imagens gravadas do hino, mas abaixou consideravelmente o áudio. E o que foi uma onda arrebatadora de decibéis, pairou como um sussurro aos ouvidos dos atentos telespectadores espanhóis.


Ao final, devido ao "pequeno deslize" profissional, ele foi demitido por seus superiores. E hoje procura emprego em outras redações. Será difícil para ele, pegou mal.

Já para o Barça não foi nada difícil. Aplicou incontestáveis 4 a 1 no Atlético de Bilbao e ficou com a taça do Rei Juan Carlos. O monarca, ao final de tudo isso, aplaudiu sorridentemente a vitória de um de seus maiores problemas dentro de seu reino: seu filho revoltoso, o Nacionalismo independentista.

terça-feira, 5 de maio de 2009




"Los colores de Brasil en España" é um pequeno documento sobre a influência da cultura brasileira na Espanha. Gravado nas cidades de Valladolid e Salamaca - ambas em Castilla y León -, o vídeo trata dos hábitos de brasileiros que vivem por aqui e a maneira com que mantém alguns aspectos culturais. Creio que o mais interessante seja a mescla entre a cultura brasileira e espanhola. Baseada na alegria, as duas se fundem de maneira fácil e natural.


O vídeo é um material acadêmico, produzido para a matéria "Guiones de Televisión" (Guias de Televisão). Será apresentado na Universidade de Valladolid no dia 11 deste mês.

Los colores de Brasil en España
- 5'46''

Entrevista e roteiro
André Rossi
Marcela Marques
Sabir Agalarov


Câmera
André Rossi

Edição e Design Gráfico

Sabir Agalarov e André Rossi


segunda-feira, 27 de abril de 2009


Leia "Um sofá de cada vez" em PDF!

Álbum do Couch Surfing em Bruxelas e Haarlem. Confira!

Por um mundo melhor, o projeto Couch Surfing proporciona intercâmbio cultural aos seus membros por meio da hospitalidade exercida entre os mesmos. Possui sofá, cama, algum canto disponível ou tem vontade de viajar? Se inscreva, viaje e veja o mundo sob outra perspectiva...Clique e leia reportagem na íntegra!

sábado, 18 de abril de 2009



Reportagem em PDF! Leia Plano de Bolonia!

Pela segunda vez, o Cadência Brasuca fala sobre o Plano de Bolonia. O primeiro post - feito em fevereiro - serviu para apresentar e desmistificar esta importante reforma universitária pela qual passa o sistema universitário europeu. Dessa vez, a pedidos da colega Sarah Piasentin, que desenvolve seu trabalho de fim de curso sobre correspondência internacional, o Blog prepara uma segunda versão do post. Se te interessa, confira!...Leia em PDF!

segunda-feira, 13 de abril de 2009


Foto: Marcela Marques
Fonte: Guia O Viajante Independente na Europa

Por André Rossi
, em Valladolid, Espanha

Bons amigos do Cadência, ao mesmo tempo em que rogo que me desculpem pelo longo intervalo sem postar, digo de antemão que este foi um período realmente rentável para o Blog. Isso porque, ao viajar por três países pude colecionar histórias e experiências, que resultam agora este insurreito Post de retorno à ativa.

Sem mais, no dia 1 de abril, saí para uma pequena jornada que me ensinou muito. Não só sobre países até então desconhecidos, como também sobre a capacidade do ser humano - apesar das adversidades culturais - de falar a mesma língua quando o assunto é humanidade. Retomo a última ideia parágrafos abaixo. Falemos agora sobre a viagem.

Mochila e saco de dormir nas costas, no primeiro dia de abril eu e mais três amigos partimos com o intuito de conhecer Bélgica, Holanda e a cidade de Santander, norte da Espanha. De Valladolid voamos diretamente a Bruxelas, capital belga. Ao sair do aeroporto demos muita sorte ao encontrar com um grupo de estudantes espanhóis que excursavam pelo país. Sem problemas com a língua nos ofereceram uma carona para o centro da cidade, a qual aceitamos com muito gosto.

Confira a GALERIA DE FOTOS de Bruxelas!

Nos despedimos de nossos "conterrâneos" e nos pusemos a procura da rua na qual morava a pessoa que iria nos abrigar na capital belga. Pois é, deixamos hotéis e albergues de lado para apostar na incerteza daquilo que nos era desconhecido. Logo, após alguns minutos de busca, encontramos o que seria nosso alojamento durante os próximos quatro dias.

Ingrid, belga de sorriso fácil e simpatia contagiante, nos recebeu em sua habitação. De aparente meia-idade e assumidamente solteira, logo disse em inglês fluente: "A casa é de vocês. Tenho apenas um sofá, espero que tenham trazido sacos de dormir". O apartamento, grande e confortável, era decorado com artefatos africanos e orientais. Por todos os lados havia instrumentos musicais de percussão, sopro ou cordas, com os quais Ingrid tomava aulas.

Na companhia da jovem chinesa Meng, que também estava hospedada ali, saímos a conhecer Bruxelas. Cidade de negócios, cosmopolita, vibrante e berço da União Européia, a capital belga encanta por sua beleza. Destaque para a irretocável arquitetura gótica do centro. Se a catedral de St. Michel impressiona por sua grandeza, o singelo Manneken-Pis (garoto mijão) é o maior símbolo do país inventor de mais de 400 tipos de cerveja, das batatas fritas e do ótimos chocolates.

Ainda na Bélgica rumamos à Bruges. A 97 km da capital, a cidade é, sem dúvida, uma atração à parte. Seu pequeno centro, do século 13, não mudou muito ao passar dos anos e conserva grande parte da arquitetura medieval. De tão pequena, é possível conhecê-la em uma tarde.

Confira a GALERIA DE FOTOS de Brugges!


Próxima parada, Holanda. Chegamos em Amsterdam, capital do país, no dia 4 de abril, precisamente um sábado. E desde então não tínhamos onde passar a noite, pois não havíamos feito reservas em albergues ou hotéis. Resultado: depois de muita procura passamos a noite no aeroporto da cidade, onde na manhã seguinte despertamos sob ordens policiais. Após a já esperada intervenção matinal, fomos conhecer a famigerada Amsterdam.

Capital e centro nervoso da Holanda, a cidade, com 735 mil habitantes, testemunhou inúmeras guerras religiosas, a invasão nazista e perseguições aos judeus. Crítica dos absurdos fascísticos e do cerceamento à liberdade, compreende uma natureza cosmopolita, liberal e eventualmente transgressora. Ruas com prostitutas em vitrines e pessoas fumando abertamente - o uso da maconha é liberado na cidade. Longe do centro a belíssima Amsterdam passa a ser habitável.

Confira a GALERIA DE FOTOS de Amsterdam!

No dia 6 marchamos até a casa de Jan, um holandês que estava disposto a abrigar viajantes em sua confortável casa. A quinze minutos de trem da capital, a cidade de Haarlem foi nossa morada pelos próximos três dias. Apreciador de filmes, cerveja belga e um bom vinho, nosso hospedeiro nos introduziu na cultura Deutsch por meio da culinária e de viagens feitas ao interior do país. Conhecemos os enormes moinhos e as vastas plantações de tulipas. Preciosidades.

Confira a GALERIA DE FOTOS de Haarlem e Leiden!

O mochilão estava chegando ao seu final. Deixamos os Países Baixos e voltamos a Espanha. Após escala em Dusseldorf (ALE), chegamos a Santander (ESP) no dia 9. E ali ficamos hospedados na casa de Rafael, brasileiro de Salvador da Bahia. Atenciosamente, nos levou para conhecer a vida noturna local, que é bem movimentada. Cidade portuária, que beira o mar, Santander é belíssima. Funde a arquitetura clássica medieval com as belezas naturais características da região. É também conhecida por ser um local propício para a prática do surfe.

Confira a GALERIA DE FOTOS de Santander!

Sobre a ideia pendente parágrafos acima: As pessoas citadas, ao saber da nossa procura por onde dormir, nos ofereceram suas casas através do site Couch Surfing. Neste site de relações sociais, você pode disponibilizar um sofá, cama ou um canto, para que viajantes se hospedem em sua casa. Detalhe importante é que todos eles, enquanto trabalhavam, deixaram as chaves de suas respectivas casas conosco. Improvável? Não.

Quando dizia sobre a capacidade de alguns seres humanos de se entenderem é pelo fato de que, todos nós necessitamos do outro, de conhecer o outro, como ele vive, quais são seus anseios e aflições. Foi uma experiência muito rica, pois nos tornamos amigos de pessoas que sequer conhecíamos e nos ajudaram. Hospitalidade e senso de humanidade não possuem fronteiras.


quarta-feira, 25 de março de 2009



Por André
Rossi

O dia 1 de
janeiro nunca amanheceu tão coberto de esperança, como no ano de 1959, em Havana, Cuba. Esperança em um jovem advogado de 33 anos, líder da luta armada que derrubou 0 regime totalitário cubano, este financiado pelo capital norte-americano. Cada feixe de luz que resplandecia no céu de La Habana, representava a fé de milhões de cubanos na mudança dos rumos do país.

Entretanto, acima de qualquer aspiração democrática,
Fidel Castro quis dirigir os destinos de Cuba sozinho. Sem que ninguém fizesse a ele como ele fez com Fulgêncio Baptista. E para consolidar o poder absoluto, o abnegado leitor de Marx optou pelo Comunismo.

Depois de 50 anos do vendaval
castrista, Cuba segue em um regime falido, que gira em torno da enfermidade de um só homem e seu "irmão fantoche" Raúl Castro. Implacável com oposicionistas, o velho ditador não admite contrariedades. Paga-se caro por contestar-lo. Por conta disso, o fazem longe da Ilha de Cuba.

A Associação Espanhola Cuba em Transição e a Associação de
Iberoamericanos pela Liberdade procuram apoio oposicionista ao regime castrista no exterior. Os órgãos exigem que as democracias de todo o mundo "denunciem os crimes" cometidos pelo exército tirânico entre 18 e 20 de março, do ano de 2003. Na ocasião, 75 democratas cubanos foram presos sob as ordens de Fidel Castro. O episódio ficou mundialmente conhecido como "Primavera Negra".

O episódio e o fato dos presos políticos continuarem no
cárcer, mesmo após seis anos, fez com que as instituições oposicionistas ao regime castrista promovessem um abaixo assinado. Assinado por milhões de cubanos, o documento pede que as grandes democracias do globo "apoiem explicitamente a oposição cubana e demandem com energia a liberdade de todos os cubanos".

O manifesto, que contém assinaturas de importantes artistas, escritores e intelectuais, será entregue a presidentes e chefes de estado de países como Espanha, França, Alemanha, Itália, República Checa, Suécia, Chile, Colômbia, Estados Unidos, entre outros.

Gostou do tema? O Cadência recomenda: La Dictadura Interminable Hot Site.